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Sílvia Oliveira é jornalista, doutoranda em Psicologia da Comunicação e Mestre em Turismo. Criadora do site Matraqueando, está cheia de dicas muquiranas. Viagens econômicas com dignidade e mala de rodinhas.
A ecológica Curitiba, de quem você tanto ouve falar como sendo o melhor lugar do Brasil para viver (quiçá do mundo!), passou por uma severa plástica. Mexeu em tudo. Foi uma espécie de Extreme Makeover das cidades. Aqui pedreira virou palco para artistas, depósito de pólvora transformou-se em teatro e fundo de vale, em parque. Hoje, 29 de março, a capital do Paraná completa 317 anos enxuta!
Pouco assediada por turistas brasileiros e estrangeiros até os anos 70, a cidade foi – mais do que depressa – para a mesa de cirurgia. Sem as cataratas da conterrânea Foz do Iguaçu, apelou para uma enorme cachoeira (de mentira) no Parque Tanguá – construído em uma antiga área degradada. Hoje, é um charme a foto que a gente pode levar de lá. Já concorrer com a vizinha Serra do Mar, um dos últimos remanescentes da mata atlântica, seria perda de tempo e de dinheiro. Os técnicos em planejamento da prefeitura começaram a aproveitar todo e qualquer cantinho verde da cidade para criar parques.
E conseguiram. São lindos e aos montes: a maior concentração de parques por metro quadrado do planeta deve estar na capital paranaense. Mais uma vez o bisturi funcionou. O município carrega, orgulhosamente, a marca de 55 m2 de área verde por habitante.
Além disso, Curitiba tem fama de ser pioneira em quase tudo: a primeira Universidade Federal do país nasceu na cidade. A primeira rua brasileira projetada em espaço fechado (hoje em reformas) – a Rua 24 Horas – está bem no centro da capital. Tem o único museu do mundo, o MON, em forma de olho. Assinado por Oscar Niemeyer, um dos maiores arquitetos brasileiros. Agora, a capital recebe o primeiro Mercado de Produtos Orgânicos brasileiro. Um lugar agradável que oferece mais de mil tipos de produtos certificados com o selo de “sem agrotóxicos e aditivos químicos”.
O precursor ônibus Ligeirinho, uma espécie de metrô sobre rodas, transformou a vida de quem depende do transporte coletivo. Ainda não é perfeito, verdade. Existe superlotação em horários de pico e em algumas rotas ele é o Demoradinho. Mas o sistema é tão inovador, que cidades como Los Angeles já estão adotando o mesmo modelo.
Curitiba deu certo. Além do que, tem um bem maior, envolvente, diversificado, com um monte de história para contar: Tem gente! Gente de todos os cantos, de todos os tipos. Imigrantes dedicaram-se à agricultura e trouxeram a mão de obra qualificada para as indústrias. Tanto trabalho, um título: o povo com uma renda per capita 40% maior do que a média nacional.
No domingo, a disputadíssima Feira do Largo da Ordem, no centro histórico da cidade, vai fazer você voltar para casa cheio de cacarecos, artesanatos mil, livros usados, antiguidades e, principalmente, com a certeza de que Curitiba é – na verdade – a lipoescultura arquitetônica mais bem sucedida do Brasil!
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